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    terça-feira, 27 de julho de 2010

    Eurico Monteiro Gomes

    Santa Marta de Penaguião. 29 de Setembro de 1955. Defesa.
    Épocas no Benfica: 4 (75/79). Jogos: 115. Golos: 1. 
    Títulos: 2 (Campeonato Nacional).
    Outros clubes: Sporting, FC Porto e Vitória de Setúbal. 
    Internacionalizações: 38. 



    Da então muito ostracizada província de Trás-os-Montes até ao reconhecimento internacional pelos seus bons ofícios de futebolista, Eurico só percorreu um curto caminho. É que coragem e perseverança jamais deixaram de ser as suas principais qualidades. Na vida, muito; no futebol, sempre. Recompensado foi, passando aos anais como o único futebolista nacional com o titulo de campeão nos três grandes clubes de Portugal.

    Chegou a Lisboa com 13 anos mais a obsessão de ser jogador do Benfica. Logo levou a primeira chibatada emocional, quando a oferta de quinhentos escudos/mês, vinda da Luz, esbarrou nos dois mil e quinhentos que auferia como aprendiz numa oficina de automóveis na Póvoa de Santo Adrião. Não se acomodou. Já em representação do Odivelas, um ano depois, a nova investida benfiquista registava significativo aumento da parada. Por quatro notas de mil agarrou a proposta e de vermelho deu cor ao sonho.

    Em pleno PREC, no verão de 75, ascendeu à categoria sénior, com a incumbência de substituir Humberto Coelho, acabado de ingressar no futebol gaulês. Fervor revolucionário é que lhe não faltou e impôs a sua irreverente presença juvenil no centro da defesa encarnada. Ao longo de quatro temporadas, disputou 119 jogos, vencendo dois Campeonatos e tornando-se num dos mais jovens e promissores recém-internacionais. Fez dupla com Messias, Bastos Lopes, Barros, Alhinho e o regressado Humberto Coelho.

    Ainda que não tivesse uma argumentação artística semelhante à de companheiros ou adversários mais criativos, Eurico personificava o defesa sólido, hercúleo até, sempre disponível, coadjutor, permanentemente solidário. Fez um ano com Mário Wilson, que o projectou em Guimarães, numa vitória (2-0) do Benfica, e os outros três sob o comando do britânico John Mortimore. Foi então que passou da eficiência (ao lado de Carlos Alhinho) à consagração (com Humberto Coelho), passando pela dificuldade para se impor em compita interna com a dupla (Humberto/Alhinho) de 78/79. Por uma diferença quase irrisória, entre o que pedia e o que o Benfica ofertou, decidiu não renovar o contrato e mudou-se para Alvalade. Seguiu-se o FC Porto, com sucesso comparável ao que atingiu na Selecção, até ao derradeiro suspiro competitivo no histórico Vitória de Setúbal.

    Pela Luz, Eurico deixou a marca de grande defesa na marcação homem-a-homem. Era a sua especialidade. E sabendo-se da permanente vontade do Benfica em reunir os mais habilitados para cada tarefa, só poderá mesmo dizer-se que, na sua trajectória garrida, Eurico não apenas cumpriu distintamente como soube conferir classe aos quadros do clube.

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