Lisboa. 17 de Maio de 1958. Médio.
Épocas no Benfica: 10 (76/78 e
79/87). Jogos: 227. Golos: 20.
Títulos: 5 (Campeonato Nacional), 6 (Taça
de Portugal) e 2 (Supertaça).
Outros clubes: Marítimo e Ovarense. Internacionalizações: 4.
Vivia-se já a era pós-Eusébio, Simões ou Jaime Graça. Mesmo assim tempo
ainda em que o Benfica se arriscava a ser campeão, como havia
sentenciado, com sentido profético, um antes, o treinador Mário Wilson.
Na pré-época de 76/77, o britânico John Mortimore assumiu o comando
técnico, apregoando a conquista do tricampeonato como objectivo.
O
jovem José Luís, recém-promovido a sénior, com apenas 18 anos, fazia
parte dos planos, depois de ser ter revelado nos patamares inferiores do
clube. Ao lado do já genial Chalana, um ano mais novo, e do africano
Alberto, lateral-esquerdo em ascensão, aí estava um trio disposto a dar
substância à renovação da principal equipa benfiquista.
Para José
Luís, a estreia, em Setúbal, ante o Vitória local, até nem correu bem.
Era mesmo o quarto desaire nos cinco primeiros jogos do Nacional, versão
76/77. O Sporting foi soberano na primeira volta, orientado pelo bem
conhecido Jimmy Hagan. Só que a recuperação do Benfica foi ganhando
contornos de coisa séria e, muito antes do final da prova, fácil era
divisar o campeão. Abria-se a colectânea de sucessos do promissor
atleta.
Ao longo de dez temporadas consecutivas, José Luís
arrebatou 13 títulos, distribuídos por cinco Campeonatos, seis Taças e
duas Supertaças, justificando por quatro vezes a chamada à equipa
nacional. Era uma espécie de jogador silencioso, que colocava a sua arte
ao serviço do colectivo. Governava a direita ofensiva com imaginação e
criatividade. Precioso no drible, seguro no passe, cirúrgico no centro.
Era também um extremo sentinela, preocupado com o ataque antagonista.

Durante
uma década não deixou de aperfeiçoar os seus predicados e minorar as
suas insuficiências. Ultrapassou a marca dos 200 jogos na categoria de
honra, não obstante a forte concorrência para o seu lugar. Carlos Manuel
e Diamantino, sobretudo esses excelentes executantes, nunca lhe deram
tréguas.
A 31 de Maio de 1987, despediu-se, ironicamente, com
John Mortimore sentado no banco, o mesmo técnico que dez anos atrás o
havia lançado à ribalta.
De José Luís ficou o perfume de um
futebol inspirado, objectivo, cristalino. Com uma dedicatória aos
escalões de formação do Benfica. Cresceu na casa onde nasceu, deu-lhe
mais beleza e não menos encómios.
This entry was posted on Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011
, 17:54 and is filed under Anos 70,Memória. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can skip to the end and leave a response.