Barreiro. 13 de Abril de 1937. Avançado.
Épocas no Benfica: 11
(59/70). Jogos: 369. Golos: 174.
Títulos: 8 (Campeonato Nacional), 3
(Taça de Portugal) e 2 (Taça dos Campeões).
Outros clubes:
Barreirense. Internacionalizações: 45.
Treinador do Benfica em
1969/1970. Títulos (conquistou uma Taça de Portugal).
A finta foi a melhor concepção da arte fecunda e sempre harmoniosa de
José Augusto. Com uma leveza inimitável, cedo lhe chamaram o “Garrincha
português”, rendido se confessava aquele jornalista parisiense do
“L’Équipe”, Grabriel Hanot. Marcá-lo em cima constituía humilhação ou
suicídio; marcá-lo à zona era requinte que caro se pagava. Ele que até
sempre foi considerado medroso. “Essa é a ideia que se faz de um jogador
estilista, que tem na técnica a sua principal arma; eu era assim –
rápido, versátil e, para além disso, com grande inteligência de jogo” ou
José Augusto numa síntese autobiográfica.
Imitar o pai
constituiu, obstinação de infância do jovem nascido no desigual
Barreiro, alfobre de tantos artífices da bola. Também o era Alexandre
Almeida e mais seria se o impiedoso destino não lhe tivesse roubado a
vida. Antes, porém, “o meu pai, quando soube que eu despertara para o
futebol, ficou satisfeito. Nunca me proibiu de jogar. Tinha sempre um
sorriso afável, um sorriso de pai, desejando ver o filho tornar-se um
ídolo. Se calhar, ele sentia que já não poderia sê-lo”.

Com
apenas 10 anos, José Augusto fez subir o pano, começando a frequentar o
parque do jogos do Barreirense, sob a liderança de Armando Ferreira.
Basquetebol jogaria também, revelava polivalência. Mais tarde,
fizeram-lhe um ultimato e optou pelo futebol com carácter de
exclusividade. Na posição de avançado-centro, foi chamado, por José do
Carmo, para a turma nacional de juniores, que disputou o Torneio
Internacional da UEFA da categoria, em terras transalpinas. No começo da
temporada de 54/55, ainda no comando de ataque, catapultou-se à equipa
principal, marcando presença frente ao Torreense, nas festa de Eduardo
Reis. “Os que recordavam o meu pai disseram que o filho do Alexandre
Almeida tinha honrado o seu nome”. Apenas um mês passado, o Barreirense
acolheu o Sporting, era o compatrício Carlos Gomes titular da baliza
verde-branca. Dois golos marcou José Augusto, melhor, três golos, que um
foi escandalosamente anulado pelo árbitro, na sofrida vitória 3-2
(leonina). Mas nem por isso causou estorvo a que fosse lançado à ribalta
o jovem executante. Mil contos pediram, então, pela sua carta. Era um
coro de insistência, interpretado por Benfica, Sporting e FC Porto,
pretextando José Augusto, que os outros emblemas, esses, cedo entenderam
que ali não estava galo para as suas capoeiras.
Num
dia quente de Agosto, mala na mão, estava na estação ferroviária de
Santa Apolónia, com destino ao Porto. Eis que aparece, in extremis,
Manuel da Luz Afonso, responsável máximo pelo futebol benfiquista. Ali,
naquele momento, a orquestra vermelha haveria de ganhar um dos seus mais
afamados solistas. Na cerimónia de apresentação, marcada para 25 de
Agosto de 1959, receberia 130 contos, enquanto o Barreirense, que tinha
caído à II Divisão, se contentava com 350. “Nessa altura, sempre pensei
que só não iria para o Benfica caso o clube não me pretendesse
contratar”. Afinal, era muito um caso de amor…
Uma semana depois,
vestia pela primeira vez a camisola garrida, frente ao Oviedo (1-0),
cuja baliza era ocupada pelo sempre presente Carlos Gomes, entretanto
transferido para Espanha. E não muito mais tarde, na segunda ronda do
Nacional, logo frente ao Sporting, marcaria o primeiro golo ao serviço
do Benfica, num delicioso apontamento de calcanhar.
Na Luz, o
extremo-direito José Augusto conquistou tudo o que havia para
conquistar. Foram Campeonatos (oito), Taças (três), títulos europeus
(dois). Foram mais honrarias. Foram gabos, muitos gabos. Foram 369 jogos
e 174 golos. Foram 11 épocas magnéticas.
Magnifica
rota protagonizou também na equipa das quinas. Foi 45 vezes
internacional, durante uma década, sublinhando com três golos o
contributo à epopeia do Mundial de 66. Conhecido em toda a Europa ou não
fosse ele o único benfiquista, a par de Coluna e Cruz, a disputar cinco
finais do Campeões, envergou por isso a camisola da FIFA. A 20 de Maio
de 1964, em Copenhaga, nas comemorações das Bodas de Diamante da
Federação Dinamarquesa; no mesmo ano, a 23 de Setembro, em Belgrado,
numa partida de solidariedade para com as vitimas do terramoto de
Skopje, com um golo apontado.
Quando
abandonou a carreira de futebolista, ingressou no quadro técnico do
Benfica. Mais tarde, substituiu o lendário Otto Glória, a tempo de
vencer a Taça de Portugal, versão 69/70. Seleccionador nacional seria,
por ocasião ma Minicopa, no Brasil, momento de elevada significância
para o futebol nacional, através da conquista do segundo lugar na prova.
Actualmente,
José Augusto é uma das glórias do clube com mais visitas às Casas do
Benfica. São os seus outros jogos. Aos quais empresta também
generosidade, classe e prestígio.
This entry was posted on Sábado, 5 de Novembro de 2011
, 17:17 and is filed under Anos 60,Anos 70,Memória. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can skip to the end and leave a response.