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sexta-feira, 30 de Abril de 2010

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Recordar é viver

Por Ricardo Araújo Pereira - crónica semanal no jornal "a bola" ( 24 de Abril de 2010 )



«Ao fim da 2ª jornada da I Liga, podem tirar-se já algumas conclusões. Uma: que o FC Porto é, dos três grandes, a equipa mais consistente. (...) Outra: que, perante equipas mesmo inferiores à sua no papel, o Benfica de Jorge Jesus não vai lá. (...) Aimar, Saviola e Di María não são, como já o vêm demonstrando há muito, jogadores (digamos assim) de campeonato.»
António Tavares-Teles, 25 de Agosto de 2009.



‹‹(...) parece que (...) vira o disco e toca o mesmo: o FC Porto continua a ser o grande favorito a dominar a nova época que aí vem, a nível interno.»
Miguel Sousa Tavares, 21 de Julho de 2009.



«Eu sei que ainda é cedo para tirar conclusões, e não é meu timbre embandeirar em arco, mas gosto da nova equipa do FC Porto. Quer-me parecer que temos uma equipa muito lutadora, e na boa tradição das velhas equipas portistas, com jogadores que dão tudo o que podem e que se esfarrapam para conseguirem ganhar cada bola, cada duelo. (...) pelo que me foi dado ver, chegou mais um lote de jogadores com essas características. Teremos, pois, nesta nova época, uma equipa de combate, com diversas alternativas (...)»

Rui Moreira, A Bola, 31 de Julho de 2009.



«O Porto conseguiu três vitórias e (...) a equipa dá sinais de ter amadurecido e começa-se a esquecer Lucho e Lisandro».

Rui Moreira, 9 de Outubro de 2010.



«Ao contrário do que alguns dão a entender, o grande adversário do FC Porto no campeonato é o Braga e não o Benfica»

Pinto da Costa, Outubro de 2009.



«(...) o facto de o Porto estar mais forte, ter tantas opções e parecer mais a vontade fora de casa e muito animador (...).»


Rui Moreira, 11 de Dezembro de 2010.




«Nós vamos a partir de hoje aqui solenemente dizer-Ihe, interpretando o pensar dos treinadores aqui presentes, dos jogadores aqui presentes, que nós queremos este ano dedicar a vitoria do campeonato a si. A si, que vai ser campeão.»


Pinto da Costa, dirigindo-se a uma fotografia de Jose Maria Pedroto, e interpretando varios pensares, 7 de Janeiro de 2010.



«Caiu bem a promessa de Pinto da Costa de oferecer este campeonato a Pedroto.»

Miguel Sousa Tavares, 12 de Janeiro de 2010.



«Todos os anos tem-me dado gozo ganhar, mas este ano vai dar ainda mais. Confesso que esta época vai dar-me claramente mais gozo ganhar.»
Jesualdo Ferreira, 13 de Fevereiro de 2010.


«Somos Porto e vamos continuar a ganhar.»

Nuno Espírito Santo, 20 de Fevereiro de 2010. Oito dias antes de ganhar 3 do Sporting, 17 dias antes de ganhar 5 do Arsenal e um mês antes de ganhar 3 do Benfica.



«(...) o autoproclamado maior candidato ao título deste ano (...)»
Miguel Sousa Tavares, 16 de Dezembro de 2009. Referindo-se, surpreendentemente, ao Benfica.


«Na sequência das negociações encetadas, a Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD vem comunicar (...) ter finalmente chegado a um princípio de acordo com o Cruzeiro Esporte Clube, para a aquisição dos direitos de inscrição desportiva do jogador Kleber.»

Comunicado oficial do Porto, 29 de Janeiro de 2010.



‹‹Hulk (...) não sabe jogar de costas para a área (...). Além disso, parece ter entendido mal os recados do treinador e o mais que dele se viu foi que se entreteve a adornar as jogadas, a tentar 'quaresmices' e a simular faItas.»
Rui Moreira, 25 de Setembro de 2009. Cerca de três meses antes de Hulk passar a ser o melhor jogador do mundo, depois de galardoado com a expulsão na Luz.



«Gostei de ver Hulk sentado no banco. (...) talvez lhe devessem ter explicado que fora preterido por causa dos seus tiques e individualismo, das suas inócuas simulações. Talvez assim tivesse optado por uma outra atitude, logo que surgisse a oportunidade de jogar. Em vez disso, e como tem sido costume, Hulk foi de pequena utilidade quando entrou.»

Rui Moreira, 27 de Novembro de 2009. 23 dias antes de Hulk passar a ser absolutamente indispensável e decisivo na equipa do Porto.



«Uma desilusão. (...) Desconcentrado, desconsolado, conflituoso.»

«(...) esperava-se (...) que criasse embaraços á defesa benfiquista.»

«(...) a inspiração jamais foi a desejada, sendo que, aqui e ali, até abusou do individualismo.»

A Bola, O Jogo e Record, respectivamente, apreciam a prestação de Hulk no dia em que foi castigado e passou a ser uma espécie de mistura entre Ronaldo e Messi, mas para melhor. 21 de Dezembro de 2010.



«Sempre achei e sempre o disse que, em minha opinião, as equipas verdadeiramente vencedoras não perdem tempo a discutir árbitros nem a queixar-se de arbitragens.»

Miguel Sousa Tavares, 3 de Novembro de 2009.



«(...) atentem no golo que todos concordam ter sido mal anulado ao FC Porto (...)»

Miguel Sousa Tavares, 3 de Novembro de 2009.




«O que valeu ao Benfica em Olhão foi (...) um fiscal de linha desatento àposição de Nuno Gomes no golo do empate e um árbitro atento ao facto de domingo haver um Benfica-Porto, quando se encaminhou para Cardozo, depois de expulsar Djalmir, e pelo caminho mudou o vermelho a Cardozo para amarelo.»


Miguel Sousa Tavares, 15 de Dezembro de 2009.




«(...) antes haviam sido anulados dois golos ao FC Porto, um dos quais duvidoso e o outro claramente mal anulado (...); havia sido validado primeiro golo do Leiria, também em posição duvidosa, mas com diferente critério de apreciação».

Miguel Sousa Tavares, 19 de Janeiro de 2010.





«Façam o choradinho que quiserem, esta e a minha opinião: futebol assim, com (...) árbitros que protegem o anti-jogo e os sarrafeiros, não vale a pena esperar por público nas bancadas.»

Miguel Sousa Tavares, 16 de Fevereiro de 2010.




‹‹Segundo 'A Bola', o Benfica ganhou no Funchal 'à campeão'. (...) sinceramente, não sei se o teria conseguido sem o que me pareceram dois erros de arbitragem em dois minutos (...).»

Miguel Sousa Tavares, 16 de Marco de 2010.



«(...) já lá vão quatro golos limpinhos anulados ao Falcão.»

Miguel Sousa Tavares, 16 de Marco de 2010.

quarta-feira, 28 de Abril de 2010

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César Brito calou as Antas há 19 anos


 

Faz hoje exatamente 19 anos que César Brito chegou ao antigo Estádio das Antas e marcou dois golos em apenas 4 minutos, dando às águias um triunfo por 2-0 frente ao FC Porto. Corria a longínqua época de 1990/1991, quando a formação da Luz era orientada por Sven-Goran Eriksson.
Foi um passo decisivo rumo ao 29.º título do clube encarnado, que seria selado no Estádio dos Barreiros, no Funchal.
Nos últimos 20 anos, o Benfica apenas por mais uma vez logrou vencer os dragões: em 2005/2006, com Nuno Gomes a bisar. Um cenário que espelha bem as dificuldades pelas quais a formação de Lisboa passa sempre que se desloca à Invicta, isto em vésperas de um clássico que pode ser decisivo para o título.



Porto - 0-2 - Benfica - Época 1990-91

34ª Jornada

0-1: César Brito (81 minutos)
0-2: César Brito (85 minutos)

Treinador: Sven-Goran Eriksson, mas desta vez foi Toni que orientou este jogo.

terça-feira, 27 de Abril de 2010

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Benfica-Rio Ave: Bilhetes à venda nesta 5.ª feira

O Sport Lisboa e Benfica informa que os bilhetes para o jogo da 30.ª jornada e última jornada da Liga vão ser colocados à venda na quinta-feira, dia 29 de Abril, a partir das 10 horas.

O preço dos bilhetes para a recepção ao Rio Ave varia entre os 15 e os 50 euros, sendo que a venda será exclusiva a sócios do Sport Lisboa e Benfica.

Referir que a data e hora do jogo só será conhecida no final da 29.ª jornada do campeonato nacional.

Os bilhetes serão colocados nos seguintes locais:

• Bilheteiras do Estádio do Sport Lisboa e Benfica
• Linha de apoio SLB 707 200 100 (todos os dias das 10h às 19h)
SITE OFICIAL WWW.SLBENFICA.PT
• Compra de bilhetes através de telemóvel em m.slbenfica.pt
• Casa do Benfica de: Agualva-Cacém, Águeda, Albufeira, Alcobaça, Alcochete, Almada, Aveiro, Bairrada, Baixa da Banheira, Barcelos, Barreiro, Braga, Cartaxo, Castelo Branco, Castro Verde, Coimbra, Elvas, Espinho, Évora, Faro, Figueira da Foz, Freamunde, Fundão, Grândola, Guarda, Ilha Terceira, Montemor-o-Novo, Montijo, Nazaré, Olhão, Palmela, Paredes, Peniche, Pombal, Ponte de Lima, Portimão, Porto, Proença-a-Nova, Samora Correia, Santa Comba Dão, Santarém, Sesimbra, Setúbal, Sines, Sport Vila Real e Benfica, Santo Tirso, São João da Madeira, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Vendas Novas, Vila Franca de Xira, Vila Nova de Famalicão, Vila Nova de Gaia, Vila Real de Sto António, Viseu e Vizela.
• Lojas Cota Câmbios: Rossio, Dolce Vita Tejo e Centro Comercial Colombo
• Bingo Benfica

segunda-feira, 26 de Abril de 2010

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Benfica festejou três títulos no Porto...mas nenhum com «dragões»

O Benfica está a um ponto de conquistar o 32º título de campeão nacional, pelo que a festa pode ser feita na próxima ronda (29ª)...no Estádio do Dragão. Arrecadar um título no Porto não é novidade para as «águias» - já o fizeram três vezes -, mas seria a primeira vez que tal acontecia diante do velho rival e principal emblema da cidade Invicta.

Curiosamente, foi no Porto que o Benfica conquistou o primeiro título de campeão nacional, e também o último. Na longínqua época de 1935/36, a equipa encarnada foi ao Campo do Bessa empatar com o Boavista, a duas bolas. Um ponto conquistado, que foi precisamente a vantagem final para o F.C. Porto, suficiente para fazer a festa.
Foi também no reduto axadrezado que o Benfica conquistou o mais recente título, e de novo com a necessidade de um empate apenas. Uma grande penalidade de Simão Sabrosa teve resposta de Éder Gaúcho, mas a festa encarnada avançou (1-1).
O outro título arrebatado na cidade do Porto reporta a 1944/45. Uma goleada ao Salgueiros (0-6), no Campo Augusto Leça, garantiu o primeiro lugar, a uma jornada do fim. Rogério «Pipi» contribuiu com três golos para as comemorações.

Um título festejado frente aos «dragões»...mas em casa
Embora o Benfica nunca tenha festejado um título no reduto do F.C. Porto, isso não quer dizer que nunca o tenha feito diante do emblema azul e branco. Em 1936/37, as «águias» garantiram o campeonato com uma goleada aos «dragões» (6-0), no Campo das Amoreiras. Os portistas Ernesto Santos e Nova marcaram na própria baliza, com Valadas, Espírito Santo, Xavier e Rogério «Pipi» a apontarem os restantes tentos.
Em 1990/91 o Benfica deu um passo de gigante para o título ao vencer nas Antas (0-2), na 34ª de 38 jornadas. César Brito «bisou» no reduto portista, mas a festa só foi garantida na penúltima jornada, com uma vitória sobre o Marítimo, nos Barreiros (0-2). 

sábado, 24 de Abril de 2010

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[Antevisão] Benfica vs Olhanense


Mais uma casa cheia na Luz no penúltimo jogo em casa desta época. É certo que não seremos campeões neste jogo, mas a vitória confirma praticamente o 32º título. Nada de cair em facilitismos, esta Olhanense é a única equipa da liga portuguesa que não perdeu com o Benfica. De assinalar também os regressos de Luisão e Saviola. 


11 Provável
Quim, Maxi Pereira, Luisão, David Luiz, Fábio Coentrão, Javi Garcia, Ruben Amorim, Pablo Aimar, Saviola e Cardozo


Carlsberg Cup 2008/09
Benfica 4-1 Olhanense 
Liga Portuguesa 1974/75
Benfica 2-2 Olhanense
Liga Portuguesa 1973/74
Benfica 4-1 Olhanense
Taça de Portugal 1964/65
Benfica 4-1 Olhanense
Liga Portuguesa 1963/64
Benfica 8-1 Olhanense

domingo, 18 de Abril de 2010

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Ah Ah Ah LOL


No dia em que, matematicamente, perderam o título da época 2009/10, o "Burro" Alves recebeu o troféu de campeão da época transacta... Olhem bem para a cara de aziado que ele tem...



Não se chateiem daqui a 15 dias têm o privilégio de receberem o novo campeão... Carrega Benfica!

sexta-feira, 16 de Abril de 2010

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Franco Jara ansioso por representar Benfica


O argentino Franco Jara está ansioso por representar o Benfica e espera poder ter o mesmo sucesso que o seu compatriota Angel Di Maria depois da sua chegada a Lisboa em Maio.
Em declarações à TSF, o primeiro reforço dos encarnados para a próxima época destacou a grandeza do Benfica e «por aquilo que tenho visto tem jogadores muito importantes e tem feita uma campanha muito boa, mas que ainda não foi concluída».
«Sonhava desde pequeno jogar na Europa e para mais num clube grande como o Benfica, por isso estou muito contente com o que me está a acontecer», acrescentou o médio, que lembrou, contudo, a necessidade de um período de adaptação ao seu novo clube.
Num Benfica com resultados muito bons, Jara admitiu que a sua chegada vai implicar um «começar de novo» para si no sentido em que se vai ter de adaptar a uma nova equipa, bem diferente da do Arsenal de Sarandi, que representará até ao final desta época.
Contratado por 5,5 milhões de euros e com um contrato de cinco anos, a jovem promessa argentina disse já ter falado com o presidente encarnado que lhe pediu para dar o máximo enquanto representar o Benfica.
Apesar de já ter estado nas opções de Maradona para a selecção argentina, o jogador de 21 anos disse não estar obcecado com uma presença no Mundial, até porque ainda é muito jovem e porque as «oportunidades vão aparecendo com o tempo».


Ouvir a entrevista na TSF

quinta-feira, 15 de Abril de 2010

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Domiciano Borrocal Cavém

Vila Real de Santo António. 21 de Dezembro de 1932 – 12 de Janeiro de 2005. Avançado, médio e defesa.
Épocas no Benfica: 14 (55/69). Jogos: 416. Golos: 103.
Títulos: 2 (Taça dos Campeões), 9 (Campeonato Nacional) e 5 (Taça de Portugal).
Outros clubes: Celeiro, Lusitano de Vila Real de Santo António e Covilhã. 
Internacionalizações: 18.

Ainda não estava sequer matriculado na escola primária, quando Cavem descobriu, na singela casa da família, em Vila Real de Santo António, um retrato do pai, equipado à futebolista, com uma pose de tal ordem que o puto ficou fascinado. Na génese da paixão, como tantos outros, logo se dedicou ao muda-aos-cinco-acaba-aos-dez, afigurando-se jogador de futebol.

Norberto Cavém, assim se chamava o procriador, havia defendido os emblemas do Lusitano de Vila Real e do Olhanense, com nota acima do suficiente. Ao ponto de chegar a treinar-se no Benfica. Na capital só não ficou porque ao bucólico chamariz da terra irresistiu. De vermelho vestiria, mais tarde, o filho Domiciano, enquanto o primogénito Amílcar, no Sporting da Covilhã, assinaria também trabalho meritório.

Cavém era pouco dado ao universo dos livros. Aos 14 anos, aprovado no exame da quarta classe e já a bulir nos estaleiros navais, inscreveu-se no Celeiros. Nome bizarro esse, o do pequeno clube que arraiais assentou num espaço contíguo à estação de caminhos-de-ferro, mesmo ao pé dos armazéns de cereais. Está percebido.

Logo chamado pelo pai, quando começou a treinar o Lusitano, cujo quadro registava a baixa, entre outros, de um tal José Maria Pedroto, a caminho de Belenenses, por imperativos militares. Não obstante o concurso de Cavem, caiu o Lusitano à III Divisão e, para o adolescente, pior ainda, o incumprimento de uma promessa de emprego.

Partiu para a serra. Dois anos jogou, ao lado do irmão Amílcar, no Sporting da Covilhã. Foi interior, avançado-centro e extremo-esquerdo. Trabalho é que não, tal como no Algarve, também na Beira o prometido não parecia ser devido. Contumaz, preparou-se para representar o Vitória de Setúbal, a troco também de um lugar na Câmara Municipal da terra do poeta Bocage. Só que o Benfica foi mais veloz, mostrou o pilim, conquistou Cavém e transformou-o profissional de futebol.

Na Luz, teve direito ao baptismo internacional, frente ao Valência. Fixou-se na equipa por mérito próprio, ainda que a lesão de Fialho abrisse uma vaga na ala esquerda do comando de ataque. De 56 a 69, o Benfica foi a sua vida. Ele que até era sportinguista, sem que saiba bem porquê, ao longo de 14 épocas incorporou o esquadrão rubro. Fez mais de 400 jogos, ultrapassou a centena de golos. Começou a extremo, médio se fez, terminou defesa, indistintamente à esquerda ou à direita, alardeando uma polivalência só ao alcance dos efectivamente dotados. “O Barrocal, como nós lhe chamávamos, era um grande colega e um jogador espectacular, do melhor que alguma vez se viu passar pelo nosso Benfica”, diz Mário João, companheiro de tantas jornadas inesquecíveis. “Que mais posso eu dizer?”. Se calhar, nada.

Com aquela habilidade virtuosa, Cavém deixou marcas logo no final da década de 50. Equilibradas estavam muito as forças no futebol nacional, com Benfica, FC Porto e Sporting a chegarem ao titulo ou aos títulos. A partir de 60, sempre com ele também, disparariam as águias para o mais pronunciado domínio de sempre. Teve, assim, o privilégio de actuar na era vermelha. E de a tornar possível.



Supersticioso, conta que uma vez, num sonho, lhe apareceu uma imagem, exigindo que barba usasse em troco de triunfo certo. Pela manhã, exibiu os primeiros sinais de obediência. Dias depois, ganhou o jogo. “Ainda hoje me arrependo de não ter jogado de barba na final de Wembley, com o Inter”, confessa, mergulhado numa áurea de misticismo.

Na Selecção Nacional também fez figura, entre 57 e 63. Foram seis anos em que se revelou imprescindível, começando a dar corpo a uma geração que, em Inglaterra, chegaria ao fastígio. No Mundial de 66 já não esteve. Trintão, caminhava para o final da maior aventura da sua vida. A derradeira pelo Benfica aconteceu em Setembro de 68, com o Vitória de Setúbal, na Luz, tinha já 36 anos.

Notabilizou-se ao marcar um golo ao FC Porto, com apenas 16 segundos de jogo, numa final da Taça. Hoje, recorde ainda. Por muitos anos, decerto, também.

Amarguras, essas, sobretudos as teve depois de pendurar as botas. Com carta de treinador na algibeira, feliz não foi por onde passou. E do Benfica, do Benfica apresenta as queixas de quem não viu pagar amor com amor. “Penso que por aquilo que ajudei a conquistar para o clube, merecia outro tipo de tratamento. Não tenho jeito para mendigar, nunca tive, mas não deixa de ser verdade que outros que não deram tanto prestigio ao Benfica como eu dei foram auxiliados e, quanto a mim, se calhar por não viver em Lisboa, fui esquecido”.

Não foi na festa de inauguração do novo Estádio da Luz. Veio de Alcobaça. E que bom rever Cavém!
Para mais na última viagem com a bandeira da mística.

quarta-feira, 14 de Abril de 2010

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À vontade 26cm de diferença


Nem Liedson valeu ao sporting... Antes do jogo 2 lagartos diziam-me que para eles ficarem contentes bastava o levezinho fazer das suas ao grande Luisão, mas.... nem isso.

Nem campeonato, nem taças (da liga, de portugal, ou supertaça), nem o campeonato da 2ªcircular, nem o Liedson marcou... Mesmo vencendo todos os jogos até final, ficam com menos pontos que o Benfica na época que terminou em 6ºlugar.

O que era mesmo mesmo fixe, era perderem mais 5 pontos... :)
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O nosso melhor marcador!


É coxo? É lento? Não tem pé direito? Parece uma tábua?

Total Jogos pelo Benfica: 123
Total Golos pelo Benfica: 72


2007/2008
Jogos: 45
Golos: 22 (13 na Liga)

2008/2009
Jogos: 35
Golos: 17 (17 na Liga)


2009/2010
Jogos: 43
Golos: 33 (21 na Liga)




O resto é conversa...

segunda-feira, 12 de Abril de 2010

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[Antevisão] Benfica vs Sporting




Aí está o derby! Decisivo para o Benfica que pode ficar com um "pássaro" na mão. Vencendo mantém os 6 pontos de distância para o Braga, ficando apenas 4 jornadas por cumprir (Académica F, Olhanense C, Porto F, Rio Ave C). Após a derrota em Liverpool os jogadores tiveram 4 dias de descanso para preparar este jogo, o Benfica tem 23! pontos de avanço sobre os lagartos, mas um derby é um derby.




11 Possível
Quim, Rúben Amorim, Luisão, David Luiz, Fábio Coentrão, Javi Garcia, Ramires, Di Maria, Aimar, Saviola, Cardozo



HISTORIAL
Liga Sagres 2008/09
Benfica 2-0 Sporting
Liga Bwin 2007/08Benfica 0-0 Sporting
Liga Bwin 2006/07
Benfica 1-1 Sporting
Liga BetandWin 2005/06
Benfica 1-3 Sporting
SuperLiga 2004/05
Benfica 1-0 Sporting
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Carlos Manuel Correia Santos

15 de Janeiro de 1958. Médio.
Épocas no Benfica: 9 (79/88). 
Jogos: 320. Golos: 58. Títulos: 4 (Campeonato Nacional), 5 (Taça de Portugal) e 2 (Supertaça).
Outros clubes: CUF, Barreirense, Sion, Sporting, Boavista e Estoril. Internacionalizações: 42.

Plantel 1985/1986

Enquanto labutava nas oficinas da CP, no seu Barreiro natal, o estridente apito dos comboios zurzia-lhe os ouvidos. Com outro timbre sonhava já Carlos Manuel, o apito de árbitro, naquelas construções mentais em que se imaginava, equipado a rigor, num recinto de futebol, alvoraçando as massas.

Depois da CUF, no início do trajecto, fixou-se no Barreirense, quentes eram ainda os ecos de Abril. Sempre a trabalhar, recorda, “nove horas por dia batendo com uma marreta de dez quilos nas rodas das locomotivas”. Sporting e FC Porto ficaram para trás, mais atractiva era a proposta do Benfica. Viagem curta, até ao cacilheiro servia, com Frederico selou compromisso de águia. Era Mário Wilson o treinador, passava a época de 79/80. Aziaga, que um terceiro lugar era algo que os benfiquistas não cogitavam. Intermitente começou o moço do Barreiro, até à 11ª primeira jornada, a 25 de Novembro, data em que a equipa, desastrosamente, claudicou, em casa, frente ao Boavista (1-2).

“Esse foi o jogo da minha vida”. Na mais refinada ironia. Substituído à passagem da meia hora, por Cavungi, a ira dos adeptos traduziu-se num ruído próximo do golo, só que de sinal oposto. “Se calhar, a intenção do grande Mário Wilson até era a melhor, mas estava a jogar tão bem…”. Não mais perdeu a titularidade. Voz do povo, voz de Deus.

Começou a escrever quilómetros de grande futebol. Era a “Locomotiva do Barreiro”, alcunha popularizada no exigente e sábio Terceiro Anel. Pouco mais tarde, com Lajos Baroti, haveria de passar por desinteligências. A asa direita restringia-o, sentia que ao centro é que era, ai sim, atingiria o zénite. E com João Alves, Shéu, Chalana, também José Luís e Stromberg, compôs um dos “miolos”, nesse e nos anos seguintes, mais técnicos, mais eficientes, mas produtivos, seguramente de toda a história do clube do povo.


Carlos Manuel era um daqueles exemplares da mística benfiquista, na versão anos 80. Tal como Eusébio, cerca de duas décadas antes, também ele, trabalhador insano, permanecia no pós-treino a rematar à baliza, na mais pura auto-satisfação. Fez-lhe bem. Aprumou faculdades. “É giro que, já a maioria dos colegas estava no duche, fazia eu apostas com o Eusébio, era o King treinador adjunto. Na maior parte das vezes perdia, mas os conselhos, esses, acho que os assimilava bem”.

Carlos Manuel não era, não poderia ser, um goleador. Era um estratego. Fulgurante. À direita, produzia mudanças de velocidade e cirúrgicos cruzamentos, que pasmo causavam aos antagonistas. No centro, após concessão táctica de Eriksson, os seus enfeites, com maior amplitude, tornaram-se manifestações de respeito. Não deixou, porém, este repentista de proclamar o golo, umas boas dezenas de vezes.

Decisivo foi em partidas que encatarroaram milhares de gargantas nos campos ou em frente aos televisores. Como aquela final da Taça, correspondente ao ano de 83, nas Antas, após birra azul e branca, com um golo magnifico, que deixou o país em transe. À batota dos gabinetes correspondeu Carlos Manuel, subscrevendo um dos momentos mais deprimentes da vida do rival nortenho.

De quinas ao peito, lenda virou o golo de Estugarda, garantia do passaporte de Portugal, rumo ao México 86. Antes do jogo, José Torres, o seleccionador, pediu que o deixassem sonhar, enquanto Carlos Manuel dava a garantia que os jogadores iriam “comer a relva se tal fosse necessário”. Generoso pressentimento. Assim foi e o jogador do Benfica, num dos mais patrióticos pontapés de sempre, colou a bola nas redes alemãs, virgens estavam em matéria de insucessos caseiros, há mais de 30 anos.Moita.



Nove temporadas ininterruptas jogou no Benfica, que até nem era o amor de infância. Frontal, com o coração uns centímetros acima do que é normal, mais ao pé da boca, Carlos Manuel praticou o culto da liberdade. Jamais aceitou, tal como no campo, as grilhetas do silêncio. Foi um rebelde, no sentido poético do termo. Por isso perdeu delicadezas nos corredores do(s) poder(es). No Benfica ou na Selecção Nacional. Noutras paragens ou noutras funções por que veio a enveredar. Igual a si próprio. Na história ficou.